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O carrinho mais cheio: fim das bets, mais emprego e mais comida na mesa das famílias. O que mudou no consumo em outubro de 2026

Em outubro de 2026, as vendas de arroz, óleo, macarrão e café subiram 6,5% e 6,3% em duas semanas seguidas, segundo a Abras. A entidade associou a alta ao fim das bets proibidas pela MP 1.394/2026. O setor de apostas contestou e apontou emprego em recorde e Bolsa Família 15% maior como causas alternativas. Este artigo organiza os dados, apresenta os dois lados do debate e explica o que o movimento de outubro significa para o varejo físico no fim de ano.

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Arroz, óleo, macarrão e café. Quatro itens que todo supermercadista conhece pela margem apertada e pelo giro alto. Nas duas primeiras semanas completas de outubro de 2026, as vendas desses produtos subiram 6,5% e 6,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Associação Brasileira de Supermercados chamou o movimento de incomum para o mês e apontou o dedo para uma causa: a MP 1.394/2026, que proibiu as bets em 25 de setembro.

O setor de apostas discordou. E nenhum dos dois está completamente errado.

O que a discussão em torno dos dados de outubro revela, independentemente de quem ganhar o debate sobre as causas, é uma janela de consumo que o varejo não pode ignorar: quando a renda da base da pirâmide se reorganiza, o supermercado sente primeiro, e o restante do varejo sente logo depois.

O que diz a MP que proibiu as bets

A Medida Provisória 1.394/2026, sancionada pelo presidente Lula em 25 de setembro de 2026, proibiu as casas de apostas esportivas e os jogos on-line de quota fixa no país. As operadoras foram obrigadas a devolver os saldos dos apostadores no prazo de um dia após a proibição.

A MP ainda tramita no Congresso e enfrenta resistência. Parlamentares ligados a clubes de futebol patrocinados por empresas do setor, além de representantes das próprias operadoras, questionam a constitucionalidade da medida e tentam construir alternativas que permitam a retomada das atividades com maior regulação.

A discussão legislativa está aberta. O que não está em disputa é que, a partir de 25 de setembro, o fluxo de dinheiro que ia para as plataformas de apostas foi interrompido de um dia para o outro para milhões de brasileiros.

Os números da Abras: crescimento por semana, por região e por produto

João Galassi, presidente da Abras, divulgou os dados na feira Supervendas, em Aracaju, no fim de outubro. Os números foram colecionados semana a semana, com comparação direta ao mesmo período de 2025.

Semana de 5 a 11 de outubro: alta de 6,5% nas vendas de alimentos essenciais em todo o país. Semana de 12 a 17 de outubro: alta de 6,3%. Os produtos que puxaram o crescimento foram os mesmos em ambas as semanas: arroz, óleo de soja, macarrão e café.

A variação por região foi expressiva. Sul e parte do Sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro) registraram alta de 10,6%. O Nordeste subiu 6,5%. O interior paulista, 5,6%. A Região Metropolitana do Rio, 4%. O Centro-Oeste, 3,6%. A Grande São Paulo teve a menor variação, 1,2%.

Galassi também observou queda de cerca de 10% nas transações via Pix imediatamente após a proibição, recuo que depois foi para 7%. A entidade associou essa queda ao fim dos depósitos nas plataformas de apostas, que operavam majoritariamente via Pix. Mas o próprio Galassi foi cauteloso na atribuição causal: os dados sugerem correlação, não comprovam causa.

Já Márcio Milan, vice-presidente da Abras, foi um passo além ao criticar a temporização da medida. Em declaração de 1º de outubro, antes mesmo dos dados de alimentos, ele disse que a proibição foi "um pouco tardia" porque as bets disputavam diretamente a renda disponível das famílias, que é a mesma renda que financia a cesta básica, o supermercado e o varejo popular em geral.

O outro lado: o que dizem as entidades de apostas

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestaram a leitura da Abras com argumentos que merecem ser levados a sério.

O IBJR apontou que o varejo alimentar já vinha crescendo antes da MP. Na semana de 14 a 20 de setembro, ainda com as bets ativas, as vendas de alimentos registraram alta nominal de 7,9%. Na semana de 5 a 11 de outubro, já com a proibição em vigor, a alta foi de 7,4%. A trajetória de crescimento existia antes da medida. O que mudou, se é que mudou, foi o ritmo.

A ANJL acrescentou que o IPCA-15 de outubro registrou queda de preço em itens como cenoura, frutas e café, o que naturalmente eleva o volume vendido mesmo sem crescimento nominal de renda. Mais quantidade com menos gasto é diferente de mais dinheiro disponível no bolso.

Ambas as entidades lembraram que emprego em alta, reajuste do Bolsa Família e queda de preços de alimentos são candidatos legítimos para explicar o crescimento do consumo no período. Negar a correlação com o fim das bets seria apressado. Mas afirmar causalidade exclusiva também seria.

Emprego e renda em alta: desemprego de 5,2% e recorde de pessoas ocupadas

O pano de fundo macroeconômico de outubro de 2026 é o mais favorável ao consumo popular em anos.

A taxa de desocupação no Brasil fechou o terceiro trimestre de 2026 em 5,2%, segundo a Pnad Contínua do IBGE. É o menor índice já registrado para esse período desde o início da série histórica, em 2012. No mesmo trimestre de 2025, a taxa era de 5,6%.

O número de pessoas ocupadas chegou a 103,6 milhões, também recorde histórico da série. Havia 5,63 milhões de desocupados no trimestre encerrado em setembro, contra 6,04 milhões no mesmo período do ano anterior.

Mais gente trabalhando significa mais famílias com renda regular, mais capacidade de consumo no curto prazo e menos dependência de alternativas de renda que concorram com o consumo básico. O mercado de trabalho brasileiro de 2026 chegou a outubro na melhor forma em mais de uma década, e isso precede e acompanha o debate sobre as bets.

Bolsa Família 15% maior: o efeito no orçamento das famílias

Em setembro de 2026, o governo federal anunciou o maior reajuste do Bolsa Família desde a reformulação do programa. A partir de outubro, o benefício mínimo subiu de R$ 600 para R$ 691 e o pagamento médio passou de R$ 678 para uma estimativa de R$ 777, reajuste de 15% baseado na inflação medida pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.

Com 19,29 milhões de famílias beneficiadas em setembro, o impacto mensal estimado foi de cerca de R$ 2 bilhões a mais em transferências. Esse volume entra diretamente no orçamento das classes C, D e E, que consomem principalmente no varejo físico local: supermercado, padaria, feira, loja de roupas, calçados.

Pedro Joatan, da SM Consultoria, descreveu o efeito como "vento a favor concreto" para o varejo regional e a indústria de bens de consumo. Com ressalvas importantes: parte da renda adicional pode ser absorvida pelo pagamento de dívidas, o trimestre ainda tem Black Friday e 13º salário à frente, e a alta dos preços de alimentos nos últimos meses pode ter superado o próprio INPC que embasou o reajuste.

O que isso significa para o varejo no fim de ano

O debate sobre bets ou renda é relevante para formuladores de política e para o setor de entretenimento digital. Para o varejista físico, a lição prática é diferente: quando o orçamento da base da pirâmide se reorganiza, o supermercado capta primeiro. O varejo de vestuário, calçados, cama, mesa e banho vem logo depois.

O fim do ano de 2026 chega com três variáveis se somando ao mesmo tempo: mercado de trabalho no melhor momento da série histórica, reajuste do Bolsa Família já depositado nas contas de outubro, e uma possível realocação do orçamento que antes ia para as apostas. Nenhum dos três, sozinho, garante crescimento de vendas. Os três juntos constroem o contexto mais favorável ao consumo popular em anos.

Para o varejista, isso se traduz em três perguntas práticas: o sortimento está alinhado com o que a base da pirâmide quer comprar quando tem renda? A condição de pagamento está disponível para o cliente que chega com intenção mas sem o valor total no bolso? A comunicação de Black Friday e Natal está pensada para quem acabou de ter mais renda, não para quem sempre teve?

Sortimento, crédito e comunicação são as três alavancas. E o calendário do fim de 2026 coloca as três em campo ao mesmo tempo.

Como a MOOVpay posiciona o varejista para esse momento

O movimento de outubro confirmou o que a MOOVpay defende desde o início: o varejo físico popular cresce quando o consumidor tem acesso, não apenas quando tem intenção. Ter renda extra disponível no bolso não garante venda se o produto não está ao alcance e a condição de pagamento não funciona.

O fim de ano de 2026 vai ser uma disputa por quem captura a renda que está em movimento. O varejista que tiver crédito no caixa chega nessa disputa com vantagem real.

Você cuida de vender. A MOOVpay cuida do crédito.